3.05.2009

Para sempre...

Um homem nasceu.. irmão de cinco e penúltimo a chegar. Cresceu independente e desorientado. Não teve lençois de seda suavizando o seu caminho e com onze anos já andava sozinho. Laborando, trabalhando, fiel à sua ingenuidade generosa que outros foram moldando, perturbando. Conheceu o amargo de sonhar um dia comer 2 frangos ao pequeno almoço. O agridoce de se mergulhar em desamores e aventuras voláteis do alcool consumido. Casou-se com a bela e ingénua de olhos verdes, a quem tratou como sua pertença, sua em suas condições austeras como lhe tinha sido ensinado amar. Criou uma e duas filhas pelo sustento fisico e basico. Fez surgir mais duas afortunadas pelo bem estar da sua sorte... que lhe valiam demonstradas pelo afecto de notas desenroladas carinhosamente do seu molhe que trazia no bolso. E assim nos mimou sem abraços, distante mas nao ausente. Até que o decorrer dos anos deram-se constantes na medida de um quotidiano jovial, como um corpo que envelhece sem saber, porque o pensamento ve-se igual a ultima vez que o seu rosto se viu. Ia pra velho... queria netinhos... perto de si. Eu vim! E ofereci-lhe a maior alegria que alguma vez teve... Vera, a minha filha! Um amor mutuo e sem igual. E será com orgulho gigante que lhe falarei do seu avô... que não sentiu partir.. mas que lhe acalmará a alma toda a vez que se abandonar. Um homem generoso e sensivel e mais, que me ensinou que a vida vive-se verdadeira e confiante e que a mentira dos outros pode ser a nossa virtude; que as mágoas não se devem vingar em prol de ficarmos cegos com as nossas próprias carências; que a sorte aparece a quem a sabe receber e a experiência só conta a quem a sabe entender. E assim... sou exemplar genuino daquele que me soube valer... sem vergonha! Como costumava dizer: és reles como eu! Foi nos teus olhos que me encontrei e neles que te vi partir! Amo-te para sempre, pai!

2.16.2009

Incofidência!

Um ano passou, depressa e reprimido, comprimido, deprimido, amortecido. Morte chega à minha casa, coração, consciência, pele, nervo. Nervoso dia a dia de passar, um dia vai passar, fugir, acabar. Mas no paralelo surgiu o nascimento. Chega a nova, parte a velha... família. Com ele, o meu pai. O ponto de referência afastado e que me sustentou a personalidade de hoje até despedir-se, ir-se embora, insurgir contra a vida que não desata... mata, mata. E vivo, assim, esmagada. A Vera cresce, entusiasma-se, acontece... enquanto para lá da parede, ele desvanesce, apaga-se, desaparece. Se é dificil, confuso, desconcertante e doloroso assimilar todos estes ápices de emoções histéricas e carentes? Sim. Se é solúvel e controlável? Não... nunca. Regista cauções injustas e justificações indecentes. E, assim, deito-me debaixo dos outros.

1.31.2009

E tu?

Ele beijou-me, beijamo-nos, não sei... talvez fosse eu que o beijasse... surpresos, ofegantes e enternecidos. Alguém o mandou para os meus espaços, momentos de desafogo que não arranjava para mim. E só me apetece estar na presença dele... e como me atura concertante e atento, enquanto nego e renego a sua existencia na minha vida... de agora. Que nao arranja tempo para mim e mais ninguém... que vive da aprovação de outros, que se esquece de se dar alguma coisa. E ele lembra-me, avisa que o mundo também é meu... e que a minha vida também poderá ser minha, se eu conseguir esquecer que não sinto. Não sinto. Guardo. Como cartas lacradas, amareladas do pavor de saber o que nelas traz escrito. Algumas sem saber quem as ditou. Outras transparentes entrelinhas que se lêem ao contrário num misto de letras difusas pela luz escura e quente do meu ego. Oiço-o com um ouvido apenas. Vejo-o turvo ao meu alcance. E ele abraça-me fiel e crente de que valho as suas convicções. Fico absorta e não absorvo. Dormente e adormecida pela confusão que se estabeleceu de experiência insana e perdida. Ele olha para a minha alma e enaltece eufórico, milhões de ténues dádivas que nela estão embebidas.. E julga que eu o vou valer... se ao menos eu o pudesse crer.

2.10.2008

À dois anos atras!

Acho que chegou a altura de contar.. Conto que a aproximadamente dois anos atras, vivia na anestesia festiva de ver as semanas a passar sem prever e sem planear. Fui trazida por contraditorias vontades para o meu esquecido seio familiar. Contive-me de raiva e fulgores mimados para não acontecer... voltar ao exilio que pensava não existir na altura. Observo-me ainda hoje... com a vida dos meus pais que já transpira suada pelos meus poros mais contraidos. Estão quase a fazer 60 anos e quase 40 anos de casamento e ameaçam-se constantemente com divórcios e separações de bens... mas nunca nenhum irá dar o primeiro passo. Há sempre dinheiro envolvido na discussão. Há sempre a luta de quem lutou mais ou não. E porquê? Porque não passam de intrigas de amor de quem já não sabe viver sem o outro. Eu vim! Fui incubida de os ajudar a perceber que nada irá mudar agora que as forças e os laços não desatam! De nada se é capaz quando a cegueira é tão ténue que nem se vê. Mais incrivel foi a cura da minha própria falta de visão! Que estava eu a ver? Não via. Sentia como um cego... mas não via! Sempre pensei que se vivesse a minha vida... Sairia da rotina de me ver sempre com o mesmo sentimento solitário, mas ironicamente não! Ironicamente nunca me respeitei ao ponto de pensar no que não queria ser até observar bem os outros! A minha personalidade deixou de ser uma embrulhada de futilidades desnecessárias e momentos inconstantes de fazer os outros sorrir para o meu gozo....quando deixei-me de egoísmos... ao comparar-me com as (in)felicidades dos outros! Crescer já não é mais o que todo o vento levou e passou a ser uma atitude mais concertada e razoável para com o meu respeito próprio e auto-estima... por causa de outros! Esses outros tão iguais a mim! E estou feliz com o resultado por agora! Estou confiante que tenho mais para aprender. E gosto... regozijo-me com esta forma de estar que um dia voltarei a esquecer e melhorar. Como serei daqui a dois anos se já nem me lembro como era ser quem era... à dois anos atras?

1.12.2008

2008!

Ano novo! Velho em recordações do presente que à pouco chegou! Pensamos que se renova a vida, que os objectivos sendo outros irão motivar-nos para uma actuação mais real... Pensamos com espectativa que o final das coisas más está para breve... Até ao ano acabar e recomeçar num folego utópico de quem vai entrar em mudança, mais uma vez... Talvez sim ou não! Talvez na incerteza continua de todos os anos que vão marcando as nossas rugas e vincos de experiência insuficiente! Em 2008, vou finalmente conseguir ser mãe... e daqui para o futuro voltar a sentir as nossas vidas a correr na rapidez dos momentos agora duplicados. Tenho-a na minha barriga a pesar a minha pele com movimentos ingénuos e indolores. Tenho-a para sempre vinda de mim como rebento de feijão que cresce em medidas que não irei entender na perfeição. Tenho-a perfeita aos meus olhos... Vontade de não a largar jamais! Alguém para amar para sempre minha, meu fruto, meu sentimento eternamente fiel! Que mais me importa senão?... A minha ambição! Escondido tenho os meus amores carnais que abdico sem pensar... Voláteis escárnios de prazer que acabam na cama carente e efémera na sua ascensão! Que me interessam cada vez menos, que me esquecem cada vez mais... Quanto mais me lembro de ser solitariamente minha, quanto mais amo o que cresce no meu ventre e mais me convenço das minhas exigências e limitações! Quero crescer à medida que ela cresça... para lhe oferecer a vida que mereça! Não sei o que serei... Tanto faz... É bom saber amar!

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11.24.2007

R.. espiral!...

Na eminência de soltar as palavras escondidas no meu ego... Tento escrever o que só sei pensar sem dizer. Todos os dias ocorrem-me sentimentos de indignação, fúria e frustração vindas do exterior para o meu suco espiritual e vice versa. Tenho dificeis sofrimentos que só individualmente são possiveis de avaliar. Tenho um novo ser crescendo, tomando forma humana, que se desenvolve com a acumulação de tudo o que me tenho feito sentir. E tenho por vezes medo dessa responsabilidade de estar a criar-lhe uma personalidade fria... pois ultimamente, não me deixam alternativas de alegria e serenidade por mais que o controle e exorcise... Mas engano-me. A minha filha é quem me está a ajudar a ser! Sou solitária. Não sózinha. Fui me tornando assim com as relações com outros, com as mágoas, com os pesos na consciência. E só quem erra muito, sabe mais. Sou mais humana que nunca. Porque tento abraçar todos estes desafios sem o egoismo cego e normal de um hipocrita que não tenta mudá-los para melhor. Como já fui e ainda possa voltar a ser...
Não sou uma jovem mãe normal casada e com casa propria. Mas também não tenho vontade de partilhar este amor com mais alguém. E nem sinto necessidade de delinear obstaculos fisicos para nos proteger. Tenho o meu interior consciente dos meus objectivos apenas ouvindo o que a minha mente me aconselha. Sei definir o bem e o mal que cada qual me pretende injectar, porque também o sei fazer... assim como também sei responder com vantagens mutuas a não deixar rasto de vingança. Porque não sou cruel nem pessoa crua. Sou cinzenta clara e escura, numa mescla de tintas que se diluem opostas e inerentes à sua cor. O mundo é redondo e circular, sem topo nem fim mas com centro mutuo e constante. E é para lá que todos caminhamos apesar das diferenças, iguais em sua razão e verdade. Tudo é todo e é um! E embora por vezes pense, não sou diferente de ninguém!

9.05.2007

Its a girl!

Eramos cinco mulheres! A minha mãe e 4 filhas...agora mais 2 netas! Chama-se Vera. É linda e saudável e tem apenas 14 semanas... A mãe está aqui pronta para lhe dar tudo o que possa, como qualquer mãe. Espero serena pelas semanas que faltam para a vê-la... para a sentir olhando para mim e por mim. Esta criança veio trazer-me vida! Controla as minhas ansias e receios... na sonolência dos dias que voam um atrás do outro. E agora sei pra que estou feita... pra ama-la e respeita-la como a ninguém!... Para que brote o amor que tenho dentro de mim adormecido!... Amo-te Vera, para sempre! Ps-Desculpem lá tanta lamechice... mas sou mãe babada mesmo!

8.17.2007

Eleven.

Estou no escritório, estou na cozinha, vou às compras, faço contas, aturo o peso dos outros, converso com a minha mãe, modero o meu pai, sinto saudades de todos os que estão longe, vejo o dia a passar de costas para a paisagem, ouço a mesma melodia vezes sem conta, janto e almoço, durmo. Conto os cigarros que vou fumando com cuidado e ansia. Não me rio como antes. Continuo a não me adiantar à vida que poderia ter. Não giro bem o meu tempo. Estou presa um amor incondicional que nunca mais chega. Estou grávida. Não creio. Crio vida. Tenho o minha tristeza guardada, porque tenho nostalgia de tudo o que era mas que não voltarei a ser. A minha pior ansia é como lidar com aquela que vai surgir agora. Não quero ser um personagem frigido e obstante das alegrias antigas. Muito menos nesta altura. Quero sentir o sorriso mais vezes nos meus lábios mas não sou de cinismos, muito menos pessoais. A energia penetra-me com dois polos de uma forma instantanea mediante quem a emana. E a energia que me revolta está negra. Só o ar fresco da natividade me poderá recompor e aliar forças para seguir caminhando sorridente. Creio.

8.03.2007

Ser Mulher!

Conto um ano, um mês e um dia... Segundos mudos, mudam-me, geram a vida dentro de mim. Dia 26 de Maio de 2007, nenhures pela manhã, alguém para sempre amar. Acordo e deito-me, num abrir e fechar de horas... nos contratempos sem motivos. Até que descubro, que os dias não poderão ser mais precipitados, imprevistos, desmesurados. Percebo a teia de comportamentos e emoções nunca antes reconhecidos. Controlo a minha abstracção sobre a realidade. Coloco-me entrelinhas do que me poderá acontecer.Consumo o ar com maior vitalidade. Serei mãe e ser mãe é renascer.

6.05.2007

Who cares!

A minha palavra preferida é Não. Contudo digo a mim própria... não ... sim aos outros... para entender em que pés eu ando... que pulsação eu tenho se vivo a viver para os outros... E que outros, senão uma junção de caracteristicas pessoais refractórias, egoístas e comuns?... As horas correm! Vou aprendendo, parece... Acordo. Deito. Encosto. Toco. Omito-me naturalmente a cada palavra consolada pela abertura de sorrisos opostos. Regozijo! Quero! Não procuro o que me fará satisfeita. Não tenho, talvez nunca irei ter a normalidade dos dias contados por horários e rotinas que são dignas de um ser social exemplar. Quero por puro meio de integração. Não. Não sou assim, não sou assado... não sou já o meu passado, porque me esqueci dele e como era. O futuro vem sem me preocupar. E assim sei que esta fase mutante estará constantemente a evoluir em vales e montanhas de sensações e reflexões incompletas. Nunca estarão terminadas, exterminadas da minha consciência levemente inconsequente. Serei sempre assim. Estarei para sempre insatisfeita mas contente. Vivo de cor... sem saber e sem querer saber para que lado é que vou. Não me arrependo! Não tenho medo de ter um destino menos digno. Arrepiante é pensar que não se aceita o que nunca se passou. Não sei o que é perder. Nem ganhar! Pode até ser que aceite tudo o que me dão para a mão. Porque tenho vontade de ter alguém... ou toda a gente ao mesmo tempo. Experimentar! Tão imponente esta vontade, que me escapam os actos para o estrago sem remédio... e morre. Esqueço. Nasce de novo em outro rosto. Com o mesmo objectivo de sempre... Alguém que me tenha porque não sou minha nem quero ser. Alguém que me mostre se vale a pena esta hipnose de viver em ser individual. Gostaria de me importar com quem eu sou. Mas pra quê?

4.23.2007

Spider destiny.

A aranha do meu destino Faz teias de eu não pensar. Não soube o que era em menino, Sou adulto sem o achar. É que a teia, de espalhada Apanhou-me o querer ir... Sou uma vida baloiçada Na consciência de existir. A aranha da minha sorte Faz teia de muro a muro... Sou presa do meu suporte. - Blog Inspiration - Fernando Pessoa.

4.17.2007

Dirty Soul

Alma suja quer-se egoísta de moral. Quer-se entranhada de desejos... só! Não se apresenta como os outros! Normal! A cada erro que faz... fecha-se um nó! Alma rarefeita pela asneira espontânea... Pela cobiça da satisfação momentânea... Alma que de ninguém gostou... Que nem quer saber se lembrou. Alma ausente de gratidão... Morre sem caixão!

4.07.2007

Sem descrições.

Passa-me os lábios pelo pescoço oferecendo-se à espontaniedade dos carinhos. Não pensa! Cerébro receptivo à vontade dos seus mimos... para que as palavras não destroam o beijo que se segue. E que se roam os passados por não quererem mais momentos de serem lembrados... fechamos os olhos para que o preconceito não entre. Sem vícios, sem desperdícios. Relação sem denominação, é a minha e a de com quem estive, com quem estou... a de quem vive!

3.23.2007

Brandy?...

...and another one did this with my name!... What was he thinking about!?... ah?...

Busy alcohol!...

A drunk brain cell turned a glass of wine into a fish!... Glump!...

3.04.2007

Music mirror!

Through acts, performances and characters... reality has brought me to life!

1.29.2007

Don't ask... Just live!

Poemas inconjuntos - Fernando Pessoa

1.24.2007

Emergent dark personality...

Tosse rouca, nariz suado, olhos negros em tom amarelado, corpo e saúde exposta ao acaso do viver condicionado. Cérebro em divisões aleatórias... gavetas e portas de inconscientes sobresaltos... sem porquês e então... que interessa. Não pode ser! É!... No vácuo da câmpanula de vidro de Sylvia Platt estou submersa, nesta ausência de oxigénio que me mantem morna e sufoca a espera do milagre em que não acredito mais... e nada faz renascer dos sonhos que vou guardando ou deixando para trás... frustrando um monstro que vive dentro de uma outra parcela do meu existir. Agir?

1.23.2007

Smooth jealousy...

Com os olhos pesados de sono e preocupações, doem-me as palavras largadas ao acaso de ontem à noite. Atira-se o punho por vulgares objectos de ciúme sem fundamento. Escondem-se as lágrimas feridas de orgulho. E juntos gritamos palavras de descontrolado ressentimento. Dispares as opiniões, sofrimentos passados de iguais razões...
Beijam-me de perdão os sentimentos por ter-me de regresso ao conforto dos teus braços, com a ternura de querem possuir obcessivamente sem maldade.
Cansados adormecemos lado a lado, corpo encostado no meu ventre quente pela vontade de te ter abandonado, ser passado.

1.20.2007

X-Point... me!

Sei lá escrever sobre alguma coisa!... o saber está em tudo saber sobre nada... este blog cheira a mofo e eu cheiro a baú... tela de ponto cruz que se guardou embrulhada.
O meu ego é de todos.
Não mudei, não evoluí... passo os dias em regime de marioneta vencida pela circunstância de uma trama familiar, que não me preenche e não acaba. Volto ao ponto de partida, num colorido de linhas e agulhas... contando a idade que se fez adulta... no objectivo de terminar este quadro de memórias, no impasse de cada ponto se cruzar.
Escrevo sobre o nada, e nada pra mim é tudo o que posso ter antes, agora e amanhã... até alguém me encontrar!

11.12.2006

Introespecção oficial.

Hoje, 12 de Novembro de 2006, venho por este meio informar a vossa excelências que me tornarei de agora em diante num ser correcto e autónomo. Como tal, começarei a organizar os meus objectivos de acordo com as minhas ambições sem por isso me render a influências de terceiros para suprir carências emocionais que muito embora possam estar em falta, só eu as poderei colmatar. Depois de ter atingido o ponto mais baixo da minha vida todo o percurso será ascendente de forma a que possa iniciar o ano 2007 com a consciência tranquila e auto-estima positiva e sem grandes desejos e pedidos impossiveis. Espero com este informe provar a mim mesma que a minha pequena existência valha pena ter sido vivida. Sem mais assuntos a acrescentar, despeço-me com os meus mais respeitosos cumprimentos, Jenny Correia da Silva.

11.07.2006

Insiste...desiste...

Sem querer saber o que sou ou represento... represento para uma centena de espectadores atentos à aspiração de uma gargalhada que saia em forma de suspiro por mim dentro. Sem querer olhar a meios e a sentimentos... suspiro silenciosamente por meio de lençois e opiácidos na anestesia de quem já perdeu a esperança de amar. Procuro por entre os afagos dos desejos momentaneos algo que desperte e que solte este nó que me sobe pelo esófago cada vez que não digo que não... não estou aqui! Queria acreditar que sou alma vadia, sem família e sem educação... na preocupação de ser livre... sem vontade de ser nobre e fiel. Levada à sorte ao destino baldio, virando as esquinas com a envoltura de um gato preto, carente e mordaz. E como esta enorme solidão me invade, arranhando os meus segredos mais pétridos... como confiar em alguém senão eu, se nem eu sou de me fiar? in "Tem calma contigo!"

10.23.2006

Mal amada, alma cansada.

  • Se a minha existência escrevesse
  • Automáticos pensamentos...
  • Devorados em longos instantes
  • Sem memórias sem julgamentos,
  • Sem razões sem consequências,
  • Sem pausas e sem ausências...

  • Se a minha mente ousasse
  • Lembrar percursos errados,
  • Todos os homens deitados
  • Por entre felácios e experiências;
  • Contariam uma só noite
  • De um corpo jovem e afoite...
  • De quem sofre de carências.

  • Diria como a carne se entrega
  • Mente assustada que se nega
  • Com todos os nós da sua alma
  • Sussurrando: Tem calma!
  • Que um dia o respeito pertence,
  • A quem o teu peito convence!
  • Contaria como este coração bate
  • Por investidas de engate
  • No temer da frustração
  • De um calor sem emoção.
  • Qual microondas avariado!
  • Vergonha do corpo usado
  • Pelo desdém de quem se deita...
  • Ao meu lado!

7.28.2006

Defeitos virtuais

É engraçado como os defeitos exteriorizados podem ser tão discrepantes dos defeitos admitidos. Há dois anos atrás, um velho e grande amigo, entrou-me pela casa onde morava sozinha e solitária, e teve o verdadeiro desplante, ou diria, coragem, de me chamar egoísta, egocêntrica e oportunista. Saiu batendo a porta e deixou-me lavada em lágrimas dizendo que a nossa amizade à muito tinha terminado. E eu que nem me tinha apercebido. Ainda hoje este assunto está por resolver. Toda a gente é atraída pelas qualidades e afastada pelos defeitos. Mas sempre existe a possibilidade de poder aceitá-los. Só que no meu caso, a primeira imagem que passo é de tal forma fascinante que quando desmantelada é irrefutável. E a culpa é absolutamente minha, porque incubo a própria o reflexo das expectativas desejadas... No fundo sei exprimir muito bem o que os outros desejariam que eu fosse, numa ausência de personalidade ininteligível. E inconscientemente, continuo a viver sem mim num grande labirinto onde me desdobro em personalidades inventadas à medida. E tudo porque para mim de nada valho sem os outros... Ou será só para chamar atenção e enaltecer o meu ego? Agora digam... Chamariam alguém assim de hipócrita? Ou egoísta? Será cínica? Oportunista? Mentirosa? Ou serei altruísta? Inconsequente? Generosa? Carente? Estarei eu a ser injusta comigo própria e/ou com os outros? No final, quem perde? Quem ganha? Serão os defeitos virtudes? E serão estes mutáveis de acordo com a fase que estamos a ultrapassar? Poderá uma pessoa sentir todos os defeitos e virtudes numa só vida? Qual será a qualidade das nossas virtudes e defeitos? Conseguirão se auto-avaliar sem serem refutados por uma única pessoa?.. Ainda bem que ninguém é perfeito. in "Qualidades ambíguas."

7.25.2006

Blogterapia.

Frustração ou não... falando sozinha ou não... a verdade é que tenho vontade de escrever para alguém, nem que seja pra eu própria me ouvir. Egocentrista? Talvez. Tens razão, relaxa-me! Obrigada pelo comentário... Tou aqui há uma semana e parece uma eternidade. Queria ter fugido pra Barcelona ou pra Tóquio. Mas não. Fui "obrigada" a refugiar-me no único sítio onde não podia perder-me mais... Que sorte! Muito obrigada. Uma semana deu para melhorar o brilho do meu cabelo... a suavidade da minha pele e o aspecto da minha alma. Choro miudinho em poucos segundos, às vezes sem saber porquê, na maioria pelas saudades, mas a maior parte do tempo estou serena e de certo modo contente. Principalmente observo se ainda há alguma coisa que ainda me valha... e surpreendo-me. Há muita. Mas não me convencia, talvez ainda não entender bem como trazer para o privilégio que é a minha vida. Já sei o que quero... quero gritar... quero dizer... em palavras ou música ou imagens... o que são os meus pensamentos, o que é esta forma de ser. Serei uma escritora multimédia?

in "Toca a escrever!"

7.21.2006

Baaaaaahhhhhh...

Dizem que blogs é pra gente frustrada... basta ver este blog... sem comentários! DESISTO! in "The last post."

7.13.2006

Back to the Island...

Oito anos em Lisboa perdida, arquivaram-me a memória da minha vida adolescente... que um dia pensei que seria e sou, mas nunca igual ao que imaginei. Dependente de todos em todos os aspectos, não mudei a atitude e transformei a personalidade por um rol de experiências insaciáveis e erros incontornáveis que me destinaram novamente as origens para ganho da minha independência urgente. De volta para a minha ilha, onde um dia soube estar ... apenas voltando nos entretantos para o mal merecido descanso que sempre exigi nas férias como recompensa mas que raras vezes soube agradecer... Oito anos de distância e ausência de quem nunca de mim se esqueceu. De volta a uma realidade esquecida por egoísmos mimados que me distanciaram do seio familiar. E ao longo de teimosias e isolamento irresponsável, nunca admiti o quanto me faltavam... Negligenciando as minhas próprias carências e crenças até ao limite de não me lembrar do que algum dia fui e por isso, nunca sabendo quem sou. Quero de volta a nossa intimidade com o tempo passada para trás das costas. Como tamanha necessidade para continuar a viver... para finalmente aprender tudo o que me tentaram ensinar e que eu não soube valer. Quero que sintam o orgulho de todo o esforço em mim centrado... antes que o tempo arda e seja tarde demais. Amo os meus pais. in " Family business. "

7.04.2006

Out of space...

Desde miúda que tenho olhar de lunática e sorriso de louca... É o que dizem! Um dia tenho que pôr os pés na lua e deixar de andar com a cabeça na terra... ou será ao contrário!? Nunca soube discernir... entre que mundo hei-de viver. Nem em que Terra, nem em que Lua. Viajando sem contar as horas, estou apenas consciente nos entretantos... Estes momentos relâmpagos que me alertam para a realidade dos demais, que uso para tentar me adaptar com igual medida na eterna corrida para a evolução! Mas quanto mais alto penso, mais estranho é ser-se neste dia a dia de gente que se diz, na sua maioria, sem ilusão... plenos de certeza e sem um grande... e porque não!?... in " The lunatic globalization."

6.29.2006

I exist!... I am...

Sonho que sou a Poetisa eleita, Aquela que diz tudo e tudo sabe, Que tem inspiração pura e perfeita, Que reúne num verso a imensidade!

Sonho que um verso meu tem claridade Para encher todo o mundo! E que deleita Mesmo aqueles que morrem de saudade! Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

Sonho que sou Alguém cá neste mundo... Aquela de saber vasto e profundo, Aos pés de quem a Terra anda curvada!

E quando mais no céu eu vou sonhando, E quando mais no alto ando voando, Acordo do meu sonho... e não sou nada!...

in "Vaidade" de Florbela Espanca

6.12.2006

Blog out

Sou eu… que diz entrelinhas e sem correcções. Quando algo não está bem, a culpa nunca é só minha. Porque acompanho o compasso e vibro no emanar de frequências indevidamente ouvidas pelo ritual de liberdades fingidas, estou louca?

Quem não beija a vontade? Quem se deixa levar por sociedade? Porque não sabem que um dia mais lhes valia ter a experiência de viver do que a de conter a emoção. Os que se julgam não ser pobres de espírito é o que são. Ninguém está livre senão alguém que não é ninguém... Que tem um senão de antemão. Pois apontem-me o dedo e o olhar... Que não me importa a importância que tenha para vocês. Que me importa é que sejam felizes e próprios com ou sem mim. Porque não existo até que vocês digam que sim.

Adeus, amigos vividos... até à nossa realização.

in "Post Drama."

5.29.2006

Sangue estragado.

Quando a volúpia e a futilidade se empregnam nas emoções... deixamos de saber quem somos em prol de um prazer momentaneo e insaciante. Que nos transforma em monstros desprovidos de razão e consequência. Que nos leva para outro estagio inerte e indiferente ao amor pelos outros... Quando o desenrolar de acções transforma sorrateiramente a tua personalidade e desces até ao teu próprio desdém... Não és ninguém. in "Auto-solidão."